sábado, 28 de fevereiro de 2026

OJÚ OÒRÙN É PONTO E PONTÃO DE CULTURA


É com alegria, senso de responsabilidade e profundo sentimento de gratidão que anunciamos: o Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn é oficialmente Ponto e Pontão de Cultura.

A certificação foi conferida pelo Ministério da Cultura, por meio do Programa Nacional Cultura Viva, reconhecendo o trabalho contínuo, coletivo e comprometido que nossa comunidade desenvolve ao longo dos anos. Essa dupla certificação não é apenas um título institucional — é o reconhecimento público de uma história construída com ancestralidade, resistência e criatividade.

Ser Ponto de Cultura significa integrar uma rede nacional de iniciativas culturais vivas, enraizadas nos territórios e comprometidas com a transformação social por meio da arte e da educação. Ser também Pontão de Cultura amplia essa responsabilidade: torna-nos articuladores de redes, formadores de outros coletivos, irradiadores de experiências e saberes.

Essa conquista não pertence apenas à nossa instituição. Ela é fruto do trabalho das nossas fazedoras e dos nossos fazedores de cultura — artistas de todas as idades, educadores, mestres da tradição, jovens aprendizes, parceiros e apoiadores que mantêm viva a chama da produção cultural comunitária.

É resultado de ações coletivas, de encontros, de projetos realizados com coragem e fé no poder transformador da cultura.

Assumimos, com ainda mais compromisso, a tarefa de ampliar oportunidades de formação, circulação artística e participação comunitária. Seguiremos fortalecendo práticas artísticas, educativas e de memória coletiva, promovendo rodas de saberes, oficinas, apresentações culturais e ações que valorizem os saberes afro-brasileiros e populares.

Continuaremos sendo espaço de encontro, resistência e inovação — um território onde a cultura é vivida como direito, como expressão de identidade e como instrumento de emancipação.

Este reconhecimento também foi possível graças às instituições e coletivos que confiaram em nosso trabalho e nos apresentaram como Ponto e Pontão de Cultura. Manifestamos nossa profunda gratidão ao:

  • Quilombo do Tomba
  • Grupo de Capoeira Nossa Cultura
  • Nego D’Água
  • Secretaria de Cultura de Paratinga
  • Museu Alto Sertão Baiano
  • Casa Anísio Teixeira
  • Universidade do Estado da Bahia
  • Secretaria de Cultura de Caetité

Cada carta de apoio representou um gesto de confiança e de reconhecimento mútuo. Cada parceria reafirma que cultura se constrói em rede.

Que esta certificação inspire novas parcerias, novos projetos e novos investimentos. Que sirva de incentivo para que mais coletivos resistam, floresçam e fortaleçam seus territórios.

O Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn permanece de portas abertas, sustentado por sua ancestralidade, guiado por seus princípios e comprometido com seu território — a serviço da cultura, da comunidade e da vida.

ÀJÒDÚN MARCA OS 40 ANOS DE INICIAÇÃO DO BÀBÁLÓRÌṢÀ THONNY HAWANY

 

No dia 31 de janeiro de 2026, a comunidade do Ojú Oòrùn realizou a celebração dos 40 anos de iniciação do bàbálórìṣà Antônio Carlos da Silva Costa de Souza, conhecido religiosamente como Thonny Hawany, Olórí Ẹgbẹ́ da instituição. A cerimônia foi conduzida por Ìyá Jucineia Silva Alves Ferreira dos Santos — ìyálórìṣà do Ilé Àṣẹ Ìràwọ̀ Nà-Bùkú, mais conhecida como Mãe Neinha de Nàná.

Iniciado em 25 de outubro de 1985 pelo saudoso Pai Ajaosi de Nàná (Joselito de Souza Costa), o bàbálórìṣà completa quatro décadas de trajetória religiosa marcada pela formação de filhos e filhas de santo, pela expansão territorial do Ojú Oòrùn e pelo fortalecimento das tradições afro-brasileiras em diferentes regiões do país.

A celebração teve caráter ritual e comunitário. Reuniu amigos, filhos, netos e membros da família religiosa em um momento de reafirmação dos laços espirituais e da continuidade da linhagem. Mais do que um marco cronológico, o àjòdún foi compreendido como renovação de compromisso.

“Comemorar 40 anos é mais do que celebrar uma passagem de tempo. Representa renovar o compromisso firmado no ato da iniciação, o juramento feito ao Obí e a Ọ̀yá”, declarou o bàbálórìṣà durante a celebração.

A presença de Mãe Neinha de Nàná no território teve significado simbólico e formativo. Segundo a ìyálórìṣà, o momento também representou reencontro e fortalecimento coletivo: “Foi tempo de reunir filhos e netos em Caetité e de celebrar Ọ̀yá e Ọ̀sóòsì na vida da comunidade”.

O Ojú Oòrùn possui atuação consolidada nas cidades de Caetité, Guanambi, Brumado e Bom Jesus da Lapa, na Bahia, além núcleos em Porto Velho, no Estado de Rondônia. Ao longo das últimas décadas, a casa ampliou sua presença religiosa e cultural, articulando práticas litúrgicas, ações comunitárias e atividades de valorização da identidade afro-brasileira.

Para Jefferson Wagner, Bábá Ẹgbẹ́ da comunidade, a celebração representou “um momento de renovação espiritual e de entrega coletiva ao sagrado” por parte de todos os envolvidos direta e indiretamente.

Do ponto de vista histórico, quatro décadas de iniciação significam permanência, maturidade e responsabilidade. Em tradições de matriz africana, o tempo não é apenas contagem cronológica: é acúmulo de experiência, autoridade ritual e compromisso com a transmissão do saber ancestral.

A celebração dos 40 anos reafirma não apenas a trajetória individual do bàbálórìṣà Thonny Hawany, mas também a continuidade de uma linhagem que atravessa gerações, territórios e contextos sociais distintos. Trata-se de um marco que evidencia como a tradição se mantém viva por meio da prática, da memória e da responsabilidade coletiva.

O Pejigán Reginaldo Conceição completou afirmando que, ao celebrar 40 anos de vida religiosa, o bábá Thonny renovou o seu pacto ancestral firmado com Nàná e Ọ̀ya. Nessa etapa da caminhada, fortaleceu-se a Egbé com o Àṣẹ do tempo, irradiando-o sobre a grande família de culto que se estende para além do Ojú Oòrùn.

Mais do que recordar o passado, o àjòdún aponta para o futuro — renovando o Àṣẹ, fortalecendo vínculos e reafirmando o compromisso com a ancestralidade e com a cultura afro-brasileira.