Iniciado em 25 de outubro de 1985 pelo saudoso Pai Ajaosi de
Nàná (Joselito de Souza Costa), o bàbálórìṣà completa quatro décadas de
trajetória religiosa marcada pela formação de filhos e filhas de santo, pela
expansão territorial do Ojú Oòrùn e pelo fortalecimento das tradições
afro-brasileiras em diferentes regiões do país.
A celebração teve caráter ritual e comunitário. Reuniu amigos,
filhos, netos e membros da família religiosa em um momento de reafirmação dos
laços espirituais e da continuidade da linhagem. Mais do que um marco
cronológico, o àjòdún foi compreendido como renovação de compromisso.
“Comemorar 40 anos é mais do que celebrar uma passagem de
tempo. Representa renovar o compromisso firmado no ato da iniciação, o
juramento feito ao Obí e a Ọ̀yá”, declarou o bàbálórìṣà durante a celebração.
A presença de Mãe Neinha de Nàná no território teve
significado simbólico e formativo. Segundo a ìyálórìṣà, o momento também
representou reencontro e fortalecimento coletivo: “Foi tempo de reunir filhos e
netos em Caetité e de celebrar Ọ̀yá e Ọ̀sóòsì na vida da comunidade”.
O Ojú Oòrùn possui atuação consolidada nas cidades de
Caetité, Guanambi, Brumado e Bom Jesus da Lapa, na Bahia, além núcleos em Porto
Velho, no Estado de Rondônia. Ao longo das últimas décadas, a casa ampliou sua
presença religiosa e cultural, articulando práticas litúrgicas, ações
comunitárias e atividades de valorização da identidade afro-brasileira.
Para Jefferson Wagner, Bábá Ẹgbẹ́ da comunidade, a
celebração representou “um momento de renovação espiritual e de entrega
coletiva ao sagrado” por parte de todos os envolvidos direta e indiretamente.
Do ponto de vista histórico, quatro décadas de iniciação
significam permanência, maturidade e responsabilidade. Em tradições de matriz
africana, o tempo não é apenas contagem cronológica: é acúmulo de experiência,
autoridade ritual e compromisso com a transmissão do saber ancestral.
A celebração dos 40 anos reafirma não apenas a trajetória
individual do bàbálórìṣà Thonny Hawany, mas também a continuidade de uma
linhagem que atravessa gerações, territórios e contextos sociais distintos.
Trata-se de um marco que evidencia como a tradição se mantém viva por meio da
prática, da memória e da responsabilidade coletiva.
O Pejigán Reginaldo Conceição completou afirmando que, ao celebrar 40 anos de vida religiosa, o bábá Thonny renovou o seu pacto ancestral firmado com Nàná e Ọ̀ya. Nessa etapa da caminhada, fortaleceu-se a Egbé com o Àṣẹ do tempo, irradiando-o sobre a grande família de culto que se estende para além do Ojú Oòrùn.
Mais do que recordar o passado, o àjòdún aponta para o futuro — renovando o Àṣẹ, fortalecendo vínculos e reafirmando o compromisso com a ancestralidade e com a cultura afro-brasileira.

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