sábado, 28 de fevereiro de 2026

ÀJÒDÚN MARCA OS 40 ANOS DE INICIAÇÃO DO BÀBÁLÓRÌṢÀ THONNY HAWANY

 

No dia 31 de janeiro de 2026, a comunidade do Ojú Oòrùn realizou a celebração dos 40 anos de iniciação do bàbálórìṣà Antônio Carlos da Silva Costa de Souza, conhecido religiosamente como Thonny Hawany, Olórí Ẹgbẹ́ da instituição. A cerimônia foi conduzida por Ìyá Jucineia Silva Alves Ferreira dos Santos — ìyálórìṣà do Ilé Àṣẹ Ìràwọ̀ Nà-Bùkú, mais conhecida como Mãe Neinha de Nàná.

Iniciado em 25 de outubro de 1985 pelo saudoso Pai Ajaosi de Nàná (Joselito de Souza Costa), o bàbálórìṣà completa quatro décadas de trajetória religiosa marcada pela formação de filhos e filhas de santo, pela expansão territorial do Ojú Oòrùn e pelo fortalecimento das tradições afro-brasileiras em diferentes regiões do país.

A celebração teve caráter ritual e comunitário. Reuniu amigos, filhos, netos e membros da família religiosa em um momento de reafirmação dos laços espirituais e da continuidade da linhagem. Mais do que um marco cronológico, o àjòdún foi compreendido como renovação de compromisso.

“Comemorar 40 anos é mais do que celebrar uma passagem de tempo. Representa renovar o compromisso firmado no ato da iniciação, o juramento feito ao Obí e a Ọ̀yá”, declarou o bàbálórìṣà durante a celebração.

A presença de Mãe Neinha de Nàná no território teve significado simbólico e formativo. Segundo a ìyálórìṣà, o momento também representou reencontro e fortalecimento coletivo: “Foi tempo de reunir filhos e netos em Caetité e de celebrar Ọ̀yá e Ọ̀sóòsì na vida da comunidade”.

O Ojú Oòrùn possui atuação consolidada nas cidades de Caetité, Guanambi, Brumado e Bom Jesus da Lapa, na Bahia, além núcleos em Porto Velho, no Estado de Rondônia. Ao longo das últimas décadas, a casa ampliou sua presença religiosa e cultural, articulando práticas litúrgicas, ações comunitárias e atividades de valorização da identidade afro-brasileira.

Para Jefferson Wagner, Bábá Ẹgbẹ́ da comunidade, a celebração representou “um momento de renovação espiritual e de entrega coletiva ao sagrado” por parte de todos os envolvidos direta e indiretamente.

Do ponto de vista histórico, quatro décadas de iniciação significam permanência, maturidade e responsabilidade. Em tradições de matriz africana, o tempo não é apenas contagem cronológica: é acúmulo de experiência, autoridade ritual e compromisso com a transmissão do saber ancestral.

A celebração dos 40 anos reafirma não apenas a trajetória individual do bàbálórìṣà Thonny Hawany, mas também a continuidade de uma linhagem que atravessa gerações, territórios e contextos sociais distintos. Trata-se de um marco que evidencia como a tradição se mantém viva por meio da prática, da memória e da responsabilidade coletiva.

O Pejigán Reginaldo Conceição completou afirmando que, ao celebrar 40 anos de vida religiosa, o bábá Thonny renovou o seu pacto ancestral firmado com Nàná e Ọ̀ya. Nessa etapa da caminhada, fortaleceu-se a Egbé com o Àṣẹ do tempo, irradiando-o sobre a grande família de culto que se estende para além do Ojú Oòrùn.

Mais do que recordar o passado, o àjòdún aponta para o futuro — renovando o Àṣẹ, fortalecendo vínculos e reafirmando o compromisso com a ancestralidade e com a cultura afro-brasileira.

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