Em 10 de março de 1991, na cidade de Caetité, nasceu o Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn, erguido com a missão de edificar a fé em Òrìṣà em um território onde essa tradição ainda não encontrara chão estruturado. O que ali começou foi mais que um terreiro: foi a semente de uma presença ancestral contracolonial, destinada a escrever uma história de reparação, afirmação e empoderamento de homens e mulheres descendentes afro-brasileiros, que reconheceram no Ojú Oòrùn o nascedouro de um território capaz de iluminar e fazer ecoar, por todos os cantos, a cultura afrodiaspórica historicamente deturpada pelos ideais colonialistas que marcaram a região.
Em 10 de março de 2026, nós do
Ojú Oòrùn, comemoramos mais que o aniversário de fundação da nossa comunidade,
comemoramos a presença viva de Orixá em nossas vidas por três décadas e meia e
a formação de uma família espiritual de mais de uma centena de filhos e filhas,
dezenas de netos e netas, matriz de dez terreiros afiliados e referência
cultural reconhecida em todo o território.
Com 35 anos de existência, o Ilé
Àṣẹ Ojú Oòrùn se consolidou como espaço de formação, resistência cultural,
preservação de memória e afirmação identitária. Fez-se casa de fé, mas também
casa de educação, de diálogo social e de promoção da dignidade humana.
Trinta e cinco anos representam
mais que permanência. Representam maturidade institucional, legitimidade
espiritual e compromisso contínuo com as gerações futuras.
O que começou sob palhas de
licuri tornou-se comunidade consolidada. O que nasceu da expulsão e do
preconceito transformou-se em pertencimento. O que foi sonho tornou-se legado.
O que pedimos a Deus e a Orixá? Que
os próximos anos sejam ainda mais férteis. Que Ọ̀ya continue soprando movimento
e coragem. Que Ọ̀ṣọ́ọ̀sì continue abrindo caminhos com precisão. E que o sol —
Ojú Oòrùn — permaneça iluminando cada passo dessa história.
HAWANY, Thonny. 35 anos do Àṣẹ Ojú Oòrùn: território e resistência. Entrevista concedida em 10 mar. 2026, Ilé Àṣẹ Ojú Oòrùn, Caetité (BA).

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